terça-feira, 11 de outubro de 2011

Luz

Boas coisas têm acontecido nestes dias. 
Tenho tentado entrar em contacto com editoras para publicar o meu blogue em livro. 
Este blogue mudou a minha vida e a daqueles que o seguiam e quero poder chegar a mais gente. 
Em 3 emails obtive uma resposta positiva. Felizmente não fico por aqui, pois a vida cruza-nos sempre com as pessoas certas na altura certa e actualmente tenho mais 15 editoras a quem propor a minha obra e uma fonte numa editora que me poderá esclarecer, e quem sabe ajudar. 
Vamos ver como as coisas correm. 

Não me renovaram o contrato na Pans pois a crise chega a todo o lado e por isso foi a minha vez de ficar sem trabalho. Tenho de arranjar outro pois não posso perder nem mais um mês de vencimento. Todos os cêntimos contam para a minha missão de juntar dinheiro para ir estudar para Inglaterra no próximo ano. 

Continuo cheia de trabalho. Reuni com o meu Team Leader da AIESEC e fiquei de me informar sobre um curso intensivo de português, workshops de pedagogia e técnicas de apresentação para os 6 egípcios que virão da Universidade do Cairo (a mesma do meu amigo Ahmed) e que vão trabalhar em escolas. 
Vai ser um desafio interessante. Sou novata nisto mas não há que temer. 

Com tanta coisa para fazer, criei um Dossier com as pastas “FLUL” (faculdade), “AIESEC” e “URECI” (Unidade de Relações Externas da Faculdade), com as respectivas tarefas e documentos. Bem como um Gmail. Realmente ajuda bastante. Tenho o péssimo defeito de ser esquecida e com tanta coisa para fazer, não quero deixar nada para trás. O meu quarto virou definitivamente um escritório. 

Ainda assim, não me esqueci que só tenho 19 anos. Felizmente ainda tenho algum tempo livre para desfrutar da minha jovialidade. Mal de mim se não tivesse. 
Considero-me feliz. Ocupada, mas realizada. Estou fazendo coisas que merecem o meu tempo e dedicação. Todo o resto…é resto.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Correria

O stress tem sido muito ultimamente. Ser estudante de 2º ano, membro da AIESEC, Voluntária na Unidade de Relações Externas da Faculdade, trabalhadora na Pans&Company aos fins de semana e ainda ter tempo para ir às praxes, é muito para uma pessoa só. Mas de facto tenho conseguido gerir tudo. Estou de rastos. Passo as noites a planear o meu horário semanal, a escrevinhar folhas A4 com coisas para não me esquecer de fazer...tem sido uma loucura.

Tenho actualmente 23 estudantes internacionais a meu cargo. 10 brasileiros, 7 ingleses, 2 turcos, 1 francês, belga e italiano. Serei a mentor dos mesmos. Cabe-me ajuda-los com qualquer duvida relacionada com a faculdade e até alojamento. Vai dar-me algum trabalho, mas é algo que me fascina imenso. Principalmente porque no 2º semestre irão chegar 2 raparigas da universidade que quero ir de Erasmus, Nothingham. 
Faço também uma Agenda Cultural para os estudantes internacionais de 15 em 15 dias.

Esta semana vou ter uma reunião com o meu team leader da AIESEC. Já me enviou o projecto "YAh (Youth Ahead)" e parece-me bastante interessante. Basicamente iremos receber estagiários internacionais para trabalhar em escolas de crianças carenciadas na temática ambiental, de modo a desenvolver o seu estado alerta para com o ambiente que os rodeia. Haverá também várias parcerias, uma delas será com empresas ambientais que irão lançar um desafio quinzenalmente. Isto exigirá telefonemas a empresas, reuniões, e todo um trabalho que irá consumir-me tempo mas que me irá enriquecer.

Ontem à noite recebi uma chamada do Egipto. Era o Ahmed! O meu grande amigo que conheci na Índia. Ficamos um bom tempo a contar as novidades. Perguntou-me de novo se sempre ia passar o verão à sua casa no Cairo. Vontade não me falta mas preciso de poupar para ir em Erasmus. Já tinha saudades de me rir com ele. É de facto gratificante receber chamadas destas. A distância e diferenças culturais não são nada. Continuamos grandes amigos. Uma portuguesa melhor amiga de um Egípcio. É de facto engraçado!


Estou feliz. Os passos que queria dar, já os dei. Agora é continuar a subir a escada em direcção ao meu objectivo. Nottingham Trent University.
Aposto na formação e no enriquecimento pessoal, de modo a ter a melhor candidatura, mas acima de tudo, conseguir crescer e aprender o suficiente para estar a altura de estudar lá fora.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Projectos e Objectivos

As aulas começaram esta semana. Felizmente acabei o relatório de estágio antes das mesmas começarem.
Começo a notar algumas diferenças após a minha vinda da Índia. Encaro cada aula não como uma mera disciplina, onde o único objectivo é passar, mas sim como uma oportunidade que poucos têm para se cultivarem. Talvez seja por isso que a minha atenção e entusiasmo esteja diferente. Não sei até que ponto. Mas há algo diferente na maneira como encaro cada aula. Quero de facto ter boas notas, não suficientes.

Ontem tive no site da faculdade onde quero ir tirar mestrado (Paris), procurando bolsas. Pelo que vejo será muito difícil e a única coisa que poderá ajudar será o meu aproveitamento escolar. Não sou brilhante, mas estou agora no 2º ano e nunca é tarde para subir a fasquia. Já me inscrevi no francês na minha faculdade e a minha família de França enviou-me alguns livros para me ajudar a estudar. Tenho de conseguir aprender francês outra vez. É um dos primeiros passos.

Outro dos meus objectivos futuros será ir de Erasmus em Nothingham, UK. E é nisso que tenho que me focar e concentrar agora. Pois é já para o ano se tudo correr bem. Preciso de dinheiro, por isso continuei a trabalhar. Depois preciso de ter uma boa candidatura. Tenho a experiência na Índia e contribuído como voluntária na Unidade de Relações Externas da Faculdade, penso que tenho boas hipóteses de conseguir a bolsa para ir.

Comecei a receber os estudantes Erasmus da minha faculdade. Há dias fui almoçar com um francês, à tarde ajudei um turco e ao fim da tarde tomei café com uma rapariga da Bélgica. Tem sido bom poder continuar a praticar o meu inglês e ajuda-los. De algum modo faz-me sentir ainda na Índia com os meus amigos estagiários. Estar com eles traz-me o mundo ao meu país. Os outros 7 voluntários da Unidade de Relações Externas da minha Faculdade, onde estou como voluntária, são todas boas pessoas. Criou-se um grupo de trabalho engraçado. Ficarei encarregue de elaborar a agenda cultural para os estudantes internacionais.

Para a semana começo a praxar! Vai ser outra grande experiencia!

Sinto-me realmente viva. 
Vamos ver como irão correr todos estes projectos. 
Espero que bem.

Tenho uma boa vida. Tenho realmente uma boa vida. ♥ É bom ter que fazer. Ter a cabeça ocupada. Com sonhos, projectos, amores, amizades...Sinto que a vida passou a ser uma aventura, cada dia é um desafio. Começo agora a perceber a piada "disto". Gosto disto.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Voluntária da FLUL

"Lamento imenso a hora tardia a que vos envio esta mensagem, mas ela é portadora de boas notícias: vocês são os primeiros voluntários colocados nas 8 vagas do projecto Movement 4 International Students (M4IS)."

Pois bem, recebi o tão esperado mail a confirmar a aceitação da minha candidatura como voluntária da minha faculdade. De 50 candidaturas apenas escolheram 8!! 
Irei trabalhar com os alunos de ERASMUS que virão para a minha Faculdade!! :D
Amanhã começo a formação.
YEAAHHHH !
Isto é um passo muito importante. Não só ganharei experiência e irei conhecer gente de todas as partes da Europa como será um bónus a adicionar à minha candidatura a ERASMUS para o ano que vem, pois dão preferência a pessoas voluntárias da faculdade.
Vivaaaaa!!!!!!!
"What is the meaning of life? To be happy and useful."

sábado, 10 de setembro de 2011

Um Novo Começo

Após 3 semanas da minha chegada a Portugal, posso escrever com todo o orgulho que a história não fica por aqui. Os sonhos continuam e por isso volto a escrever.
Pois bem, um dos meus objectivos era trabalhar com a AIESEC e esta semana tive uma reunião com a Ana Cabral da AIESEC e ficarei a trabalhar em Projects no projecto do Nuno Moreno. Será um projecto ambiental que envolverá crianças, empresas ambientais e estagiários. Começará em Dezembro e acabará em Fevereiro. Com o tempo darei mais informações sobre o mesmo. O que importa agora é que finalmente consegui. Não ganharei nenhum dinheiro estando lá, mas ganharei o mais importante: conhecimento. 

Fui esta semana a uma entrevista à Unidade de Relações Externas da minha faculdade. Isto porque quando estava na Índia enviei um mail a candidatar-me ao voluntariado da minha universidade. Se tudo correr bem, irei trabalhar pelo menos 4 horas semanais, no horário de atendimento a alunos ERASMUS. É um facto que também fui uma estrangeira e gostaria agora de poder ajudar os estrangeiros que vêm para o meu país e faculdade, pois sei bem as dificuldades que surgem quando somos inseridos num mundo completamente diferente do que estamos habituados. 2a feira saberei se fui seleccionada ou não.

Continuo a trabalhar na Pans. É um facto que quero juntar dinheiro para ir em Erasmus no meu 3º ano. Nottingham, UK. Sem dúvida é o que me motiva a trabalhar. Nunca gostei de ganhar dinheiro por ganhar. Sempre trabalhei para objectivos concretos. E basicamente invisto na educação. Há quem invista em roupa, mas a roupa não trás mais do que um armário cheio, educação trás um futuro em aberto. E eu gosto disso. De sonhar. Porque estando tudo em aberto, tudo pode acontecer.
Ser voluntária da faculdade é tido em conta no processo de selecção do programa ERASMUS,  por isso acho que estou no bom caminho. 

Tenho ido treinar com a equipa sénior, e é bom voltar ao trabalho. A verdade é que aos poucos sinto que já não faz sentido continuar no mundo do basquetebol. Ensinou-me muita coisa, fez de mim quem sou hoje e agora está na altura de voar. Educou-me e agora sinto que me diz para seguir o meu caminho pois está na altura de por tudo o que me ensinou em prática. Dedicação, companheirismo, lágrimas, suor, trabalho, esforço...Se usei tudo isto para tornar o meu jogo melhor, agora usarei tudo isto para tornar o Mundo melhor.

E com tantos novos projectos, precisarei de tempo. Pois apesar de tudo não deixei de ter apenas 19 anos, e preciso de ter tempo para a família e amigos, e para os estudos. Porque por mais projectos, por mais aspirações que tenha, a formação académica é essencial e sem os treinos terei então o meu tempo para estudar. E assim sim, o futuro ficará em aberto. Tal como eu gosto.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Fim

Não é o fim do blogue. Pois muitos sonhos se seguem. É o fim desta maravilhosa luta pelo sonho de ir à Índia deixar a minha marca. Batalhei, chorei, desacreditei mas no fim a sorte apareceu, e tudo aconteceu. Faz hoje uma semana que estou em Portugal, e posso dizer que o meu quarto encontra-se praticamente vazio. A demasia que encontrei aqui não me preenche, e por isso irei doar a uma instituição os meus bonecos, livros, CD's, roupas... Se mudei, talvez. Pelo menos o meu quarto mudou. Talvez ele seja um espelho de quem eu sou agora. Livre de futilidades, só com o essencial cá dentro. Porque na verdade não precisamos de muito para sobreviver, viver e ser felizes.
Aqui vai o video que fiz sobre a minha viagem, para nunca me esquecer do que foram estes quase 4 meses de luta e glória. http://youtu.be/7hxZ2mpnSfQ

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Final Days

Nestes últimos dias tenho estado doente. Alguma febre, e predominantemente dores de cabeça. Fico feliz de ficar doente a dias de ir para casa. Menos mau. Penso que a causa do mau estar foi a comida de rua que comi. Mas faz tudo parte da índia.
Amanhã, sábado, vou trabalhar. O meu estágio supostamente acabava 4ª mas simplesmente não consigo dizer adeus aos pequenos. E amanhã já que têm aulas irei aparecer por lá e despedir-me deles.
Ontem e hoje aproveitei para finalmente ir às compras. Ainda não tinha comprado nada para mim. Foi difícil gerir o dinheiro, realmente foi uma sobrevivência aqui em Deli, mas a dias de ir embora posso então pensar em comprar algo para oferecer à minha família. Gostava de comprar imensa coisa e oferecer a todos os meus amigos que me ajudaram nesta viagem mas monetariamente é difícil e espaço na mala também é escasso. Mas há sempre espaço para uma lembrançazinha.
Há tanto para contar, tanto por dizer desta viagem. Tantas perguntas que ficam no ar. Tanta é a vontade de regressar à Índia no futuro.
Vou ter saudades da poluição, do barulho, dos carros a apitar, dos mercados, de regatear, das roupas das mulheres, da comida, do picante que me mete a respirar pela boca, dos nervos, das alegrias, dos momentos incertos, dos pés inevitavelmente sujos, da roupa não mais branca, da carruagem de metro especial para as mulheres, das suas enormes unhas dos pés, das suas pintas na testa e furo no nariz, das suas tranças longas e pretas, da miséria, das crianças que me puxam o braço pedindo dinheiro e que me fazem sentir grata pela vida que tenho, do difícil e doloroso que é recusar lhes dar dinheiro, da tentativa de perceber o que é certo e errado, das bolachas tigger krunch que só custam 10 rupias, dos olhares de curiosidade, das vezes que pedem para tirar uma fotografia comigo, de assistir a conversas em hindi e começar a sorrir só porque se estão a rir (como se eu entendesse o que tivessem a dizer), das ventoinhas no tecto, da música, das danças, das cores, das pessoas… Vou ter saudades acima de tudo das pessoas que aqui conheci.
Não sei se volto melhor ou pior. Não sei o que aprendi. Apenas sei que na tentativa de rotular algo, na tentativa de compreender muita coisa, nunca compreendi verdadeiramente nada. Apenas entendi quando me deixei levar pela cultura sem perguntar porquê. Pois muitas das vezes não há um porquê. Estando dentro dela podes percebe-la mas nunca verbaliza-la.
Por isso por mais que escreva, nunca irei conseguir contar tudo.