segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Voluntária da FLUL

"Lamento imenso a hora tardia a que vos envio esta mensagem, mas ela é portadora de boas notícias: vocês são os primeiros voluntários colocados nas 8 vagas do projecto Movement 4 International Students (M4IS)."

Pois bem, recebi o tão esperado mail a confirmar a aceitação da minha candidatura como voluntária da minha faculdade. De 50 candidaturas apenas escolheram 8!! 
Irei trabalhar com os alunos de ERASMUS que virão para a minha Faculdade!! :D
Amanhã começo a formação.
YEAAHHHH !
Isto é um passo muito importante. Não só ganharei experiência e irei conhecer gente de todas as partes da Europa como será um bónus a adicionar à minha candidatura a ERASMUS para o ano que vem, pois dão preferência a pessoas voluntárias da faculdade.
Vivaaaaa!!!!!!!
"What is the meaning of life? To be happy and useful."

sábado, 10 de setembro de 2011

Um Novo Começo

Após 3 semanas da minha chegada a Portugal, posso escrever com todo o orgulho que a história não fica por aqui. Os sonhos continuam e por isso volto a escrever.
Pois bem, um dos meus objectivos era trabalhar com a AIESEC e esta semana tive uma reunião com a Ana Cabral da AIESEC e ficarei a trabalhar em Projects no projecto do Nuno Moreno. Será um projecto ambiental que envolverá crianças, empresas ambientais e estagiários. Começará em Dezembro e acabará em Fevereiro. Com o tempo darei mais informações sobre o mesmo. O que importa agora é que finalmente consegui. Não ganharei nenhum dinheiro estando lá, mas ganharei o mais importante: conhecimento. 

Fui esta semana a uma entrevista à Unidade de Relações Externas da minha faculdade. Isto porque quando estava na Índia enviei um mail a candidatar-me ao voluntariado da minha universidade. Se tudo correr bem, irei trabalhar pelo menos 4 horas semanais, no horário de atendimento a alunos ERASMUS. É um facto que também fui uma estrangeira e gostaria agora de poder ajudar os estrangeiros que vêm para o meu país e faculdade, pois sei bem as dificuldades que surgem quando somos inseridos num mundo completamente diferente do que estamos habituados. 2a feira saberei se fui seleccionada ou não.

Continuo a trabalhar na Pans. É um facto que quero juntar dinheiro para ir em Erasmus no meu 3º ano. Nottingham, UK. Sem dúvida é o que me motiva a trabalhar. Nunca gostei de ganhar dinheiro por ganhar. Sempre trabalhei para objectivos concretos. E basicamente invisto na educação. Há quem invista em roupa, mas a roupa não trás mais do que um armário cheio, educação trás um futuro em aberto. E eu gosto disso. De sonhar. Porque estando tudo em aberto, tudo pode acontecer.
Ser voluntária da faculdade é tido em conta no processo de selecção do programa ERASMUS,  por isso acho que estou no bom caminho. 

Tenho ido treinar com a equipa sénior, e é bom voltar ao trabalho. A verdade é que aos poucos sinto que já não faz sentido continuar no mundo do basquetebol. Ensinou-me muita coisa, fez de mim quem sou hoje e agora está na altura de voar. Educou-me e agora sinto que me diz para seguir o meu caminho pois está na altura de por tudo o que me ensinou em prática. Dedicação, companheirismo, lágrimas, suor, trabalho, esforço...Se usei tudo isto para tornar o meu jogo melhor, agora usarei tudo isto para tornar o Mundo melhor.

E com tantos novos projectos, precisarei de tempo. Pois apesar de tudo não deixei de ter apenas 19 anos, e preciso de ter tempo para a família e amigos, e para os estudos. Porque por mais projectos, por mais aspirações que tenha, a formação académica é essencial e sem os treinos terei então o meu tempo para estudar. E assim sim, o futuro ficará em aberto. Tal como eu gosto.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Fim

Não é o fim do blogue. Pois muitos sonhos se seguem. É o fim desta maravilhosa luta pelo sonho de ir à Índia deixar a minha marca. Batalhei, chorei, desacreditei mas no fim a sorte apareceu, e tudo aconteceu. Faz hoje uma semana que estou em Portugal, e posso dizer que o meu quarto encontra-se praticamente vazio. A demasia que encontrei aqui não me preenche, e por isso irei doar a uma instituição os meus bonecos, livros, CD's, roupas... Se mudei, talvez. Pelo menos o meu quarto mudou. Talvez ele seja um espelho de quem eu sou agora. Livre de futilidades, só com o essencial cá dentro. Porque na verdade não precisamos de muito para sobreviver, viver e ser felizes.
Aqui vai o video que fiz sobre a minha viagem, para nunca me esquecer do que foram estes quase 4 meses de luta e glória. http://youtu.be/7hxZ2mpnSfQ

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Final Days

Nestes últimos dias tenho estado doente. Alguma febre, e predominantemente dores de cabeça. Fico feliz de ficar doente a dias de ir para casa. Menos mau. Penso que a causa do mau estar foi a comida de rua que comi. Mas faz tudo parte da índia.
Amanhã, sábado, vou trabalhar. O meu estágio supostamente acabava 4ª mas simplesmente não consigo dizer adeus aos pequenos. E amanhã já que têm aulas irei aparecer por lá e despedir-me deles.
Ontem e hoje aproveitei para finalmente ir às compras. Ainda não tinha comprado nada para mim. Foi difícil gerir o dinheiro, realmente foi uma sobrevivência aqui em Deli, mas a dias de ir embora posso então pensar em comprar algo para oferecer à minha família. Gostava de comprar imensa coisa e oferecer a todos os meus amigos que me ajudaram nesta viagem mas monetariamente é difícil e espaço na mala também é escasso. Mas há sempre espaço para uma lembrançazinha.
Há tanto para contar, tanto por dizer desta viagem. Tantas perguntas que ficam no ar. Tanta é a vontade de regressar à Índia no futuro.
Vou ter saudades da poluição, do barulho, dos carros a apitar, dos mercados, de regatear, das roupas das mulheres, da comida, do picante que me mete a respirar pela boca, dos nervos, das alegrias, dos momentos incertos, dos pés inevitavelmente sujos, da roupa não mais branca, da carruagem de metro especial para as mulheres, das suas enormes unhas dos pés, das suas pintas na testa e furo no nariz, das suas tranças longas e pretas, da miséria, das crianças que me puxam o braço pedindo dinheiro e que me fazem sentir grata pela vida que tenho, do difícil e doloroso que é recusar lhes dar dinheiro, da tentativa de perceber o que é certo e errado, das bolachas tigger krunch que só custam 10 rupias, dos olhares de curiosidade, das vezes que pedem para tirar uma fotografia comigo, de assistir a conversas em hindi e começar a sorrir só porque se estão a rir (como se eu entendesse o que tivessem a dizer), das ventoinhas no tecto, da música, das danças, das cores, das pessoas… Vou ter saudades acima de tudo das pessoas que aqui conheci.
Não sei se volto melhor ou pior. Não sei o que aprendi. Apenas sei que na tentativa de rotular algo, na tentativa de compreender muita coisa, nunca compreendi verdadeiramente nada. Apenas entendi quando me deixei levar pela cultura sem perguntar porquê. Pois muitas das vezes não há um porquê. Estando dentro dela podes percebe-la mas nunca verbaliza-la.
Por isso por mais que escreva, nunca irei conseguir contar tudo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Conforto

Finalmente passado um mês tomo o meu primeiro banho de água quente, toco num micro ondas e sento-me num sofá para ver televisão. Quase que me tinha esquecido de como é essa sensação. Desde que vim de Portugal que esse tipo de acções ficaram de parte. Agora nesta casa, a uma semana de ir para o meu pais, encontro o conforto que me espera.
Tem sido bastante bom ficar aqui em casa. Não apenas pelas excelentes condições, mas porque esta família, mãe e filho, me fazem sentir bastante bem. Boa comida indiana e acima de tudo muitas gargalhadas. Agora que ando sem a Valéria, a minha companheira portuguesa, o português fica a um canto. Tenho por isso saído sozinha e vagueado no meio da miséria, fixando bem a sensação de estar rodeada de pessoas indianas e de toda uma paisagem suja e confusa, onde é impossível respirar fundo tal é o cheiro intenso a lixo e poluição.
Confesso que tenho saudades dos meus companheiros de quarto. Eles voltam amanhã de viagem. São amigos para a vida.
Já falei com a Ana Cabral, da AIESEC LISBOA ISCTE, que está actualmente à frente dos non-corporative projects e há muito trabalho para fazer. Por isso um dos meus objectivos, trabalhar na AIESEC e neste ramo, está sendo realizado. Agora é só aparecer por lá e botar mãos à obra.
Mais uma vez comecei a pensar no meu futuro. Estou a pensar ir estudar para França. Talvez fazer um mestrado lá. Isto porque precisarei de uns anos a tentar recuperar a língua que já está mais do que esquecida. Encontrei um mestrado excelente numa Universidade bastante prestigiada em Paris: Direitos Humanos e Acções Humanitárias. Poderei seguir uma carreira na diplomacia, organizações internacionais e jornalismo.
Aqui tenho possibilidade de pensar mais alto, pois conheço bastante gente estrangeira que pensa bastante numa carreira no estrangeiro. E deparei-me que o Inglês e Francês são línguas que se souber dominar me darão uma boa bagagem. Por isso, ERASMUS em Londres no 3º ano de Faculdade e mestrado em Paris faz todo o sentido. Principalmente após ter encontrado este mestrado que vai de encontro aos meus interesses.
Nunca fez mal a ninguém sonhar alto. No meu caso sonhei e aqui estou. E agora novos sonhos estão surgindo e felizmente terei tempo para trabalhar para a sua concretização.
E tu, já sonhaste hoje?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Bonança

Finalmente tenho um tecto!
Fiquei alojada na casa da irmã da directora da escola onde trabalho. A AIESEC falhou de novo, mudou de planos repentinamente, isto é, teria de ir para casa de uma rapariga que não conhecia e ainda por cima ia viajar para Jaipur no fim de semana com ela. Não confio neles por isso preferi ficar pela casa desta tão simpática família. Moram mesmo em frente do meu trabalho. Antes demorava uma hora e meia, agora um minuto.
A irmã da directora da escola vive sozinha com o filho e mais dois pequenos cães super gorduchos e amorosos. Tenho um quarto só para mim, comida, plasma, Internet, o trabalho é do outro lado da rua, o metro a 5 minutos…por isso penso que apesar de todos os maus momentos esta será portanto a minha recompensa. Não irei gastar muito dinheiro e assim talvez consiga finalmente comprar qualquer coisinha para a minha mãe, irmã e depois se sobrar para uma lembrança para os demais que me ajudaram nesta viagem.
Hoje foi o espectáculo dos pequenos. Festejavam a independência da Índia. No fim ofereceram-me flores, uns presentes e comida indiana que estava bastante boa. Ainda subi ao palco para dançar jay ho com os meus pequenos especiais (deficientes) e oferecer balões ao público. Foi deveras especial. Se há coisa que retiro boa disto tudo, são as pessoas da koshish special school onde tenho estagiado. Graças a elas tenho tido muitas alegrias e agora...um tecto! :)

Após a tempestade vem a bonança. Estou muito feliz por nos momentos mais difíceis estar sempre rodeada pelos que ainda são um bom exemplo para a Índia e todo o Mundo, pela sua hospitalidade, dedicação e ternura. Obrigado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Hard Days

Os últimos dias têm sido uma prova de fogo.
Acordei de manhã com o Land Lord aos berros a pedir o dinheiro pelo quarto do buraco onde vivemos. Como é óbvio todos os estagiários da casa se recusaram a pagar pois é a AIESEC que tem de fornecer alojamento, e no meu caso só tenho de pagar 1000 rupias e já paguei 3500. Por isso, apesar de todos os esforços para explicar que o nosso contrato é com a AIESEC DELHI e não com o sítio onde estamos, ficámos entre a espada e a parede. Ou pagávamos ou tínhamos de deixar o local. Fizemos imensas chamadas a membros da AIESEC DELHI mas foi em vão. Ninguém apareceu e as promessas de um novo alojamento ficaram por terra. Hoje irá ser a 3ª noite que pago para aqui estar.
Acontece que já não se trata de lutar pelos nossos direitos mas sim uma questão monetária. Se pago o alojamento o meu dinheiro literalmente acaba. E não irei, não irei mesmo pedir aos meus pais mais. Por isso, ficarei à espera que a AIESEC devolva o dinheiro que paguei a mais, de modo a conseguir sobreviver à próxima e última semana na Índia.
A minha TN Manager, a Manvi, disse que podia passar a última semana na sua casa. Pois referi-lhe que realmente não tenho dinheiro para pagar a estadia. A Valéria irá viajar pela Índia, porque o nosso estágio acaba esta semana, e eu ficarei por Delhi.
Esta situação de não ter onde ficar, de lutar para ter um simples tecto e dinheiro suficiente para comer, tem-me posto no limite. Tenho a cabeça cheia, sinto-me como uma bomba relógio. É certo que podia pedir dinheiro aos meus pais, mas quero obrigar-me a viver assim. Porque são este tipo de experiências que me vão fazer crescer e dar valor à vida que levava em Portugal.
Confesso que nos momentos de pressão, onde as minhas malas já estavam feitas e tentávamos pedir o máximo de tempo ao landlord (1 hora) para a AIESEC resolver o nosso problema que nunca chegou a resolver, comecei a perder o controlo. A vontade de apressar a minha chegada a Portugal aumentava, e por segundos ia saindo pela porta a fora com o Roman que ia mudar o seu bilhete ao Aeroporto. Respirei fundo e disse: “No Roman. Forget it. Go. I can handle with is”. Na minha opinião não consegui lidar com isto, consegui apenas sobreviver.
Hoje pagámos mais uma noite. Um quarto a dividir por 4 pessoas. Iremos ficar 4 em 2 camas juntas. O Bruno e o Roman mudaram-se para outro sitio.
A 2 semanas de ir para casa, os piores e mais difíceis momentos, tenho-os vivido agora. Nunca ninguém disse que isto ia ser fácil, e eu sempre soube que ia ser duro. E sim, é duro. Mas vai dar-me um gozo enorme viver em Portugal depois de ter vivido em situações limite como estas.
O tempo está passando e tarda nada regressarei. Começo a ficar nervosa. Perdi coisas em Portugal, ganhei coisas na Índia. Eu não sou igual, e a minha vida em Portugal (mesmo eu estando fora) já não é a mesma. Por isso estou um pouco amedrontada com o meu regresso. Não sei se vai ser o famoso feliz regresso à Pátria. Irei estar feliz por ver os meus familiares e amigos como é claro, mas experienciar o meu ambiente de novo poderá ser um novo choque cultural. E acredito que as saudades deste lugar, das pessoas que aqui conheci irão corroer-me bastante. Mas que interessa? Consegui vir à Índia deixar a minha marca, conheci crianças maravilhosas, fiz amigos para a vida e conheci um novo rumo de aspirações e sonhos que irei perseguir arduamente. Pois se há coisa que eu percebi mal aterrei na Índia é que quando se luta pelos sonhos, eles tornam-se realidade.