segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Mãe

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fotografia

Há uma semana que não como carne. Há tanta variedade de pratos vegetarianos que comer carne para mim deixou de ser prioridade. Vou tentar manter-me assim, até mesmo em Portugal. Bem sei que é difícil pois não existe uma cultura vegetariana no meu País, e encontrar variedade de alimentos a bons preços para vegetarianos não é uma tarefa assim tão fácil. Mas quem sabe… Sempre pensei que passavam fome e que o sabor da comida era horrível mas a verdade é que aqui na Índia os pratos vegetarianos para além de me deixarem satisfeita são estranhamente apetitosos.
Estamos a planear as nossas viagens para os próximos fins-de-semana. Este fim-de-semana iremos então a Agra onde iremos pagar um balúrdio para entrar no Taj Mahal. É a imagem de marca da Índia e por isso aproveitam-se para pedir imenso dinheiro para lá entrar. E não sei até que ponto estou disposta a pagar para lá entrar. O povo indiano é bastante astuto para o negócio. Gostam muito de pedir mais do que realmente é, e sabem como manipular uma pessoa. E regatear com eles nem sempre é fácil. Fazem-se de vítimas muitas das vezes, como se fosse verdade que x produto custasse tanto dinheiro. Tem sido uma escola para mim negociar com eles, pois eles olham para o turista como lucro e mal nos vêem a azafama começa. Contudo, apesar desta procura de lucro constante onde nos sentimos como uma moeda a circular de mão em mão, eles são extremamente prestáveis e preocupados com o bem estar de todos os seres vivos. Falo sim, de nós humanos e dos animais. Ajudam-se mutuamente como nas aldeias do interior onde todos se conhecem e se ajudam.
Mas a Índia, pelo menos Delhi, é cheia de pólos contrastantes. É certo que se ajudam mas nunca vi na minha vida tanta criança nas ruas a pedir dinheiro nem tantos cães a vaguear em busca de comida. A caminho de um centro comercial aqui perto, a miséria dos caminhos que nos leva até ele é impossível de ignorar. Gente a viver nos passeios e a estender a roupa nas vedações que dividem os sentidos das estradas. A tomar banho ali mesmo.
Bem sei que Portugal atravessa tempos difíceis mas o que é a nossa pobreza comparada com a que lido diariamente nas ruas de Delhi? Estaremos assim tão mal na fotografia?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Futuro

Há tanta coisa que tenho vivido por aqui. Tantas lições que tenho aprendido…que quando a Valéria me pergunta “Achas que estás diferente?” ridiculamente nem eu sei se estou. Acho que só quando chegar a Lisboa e conviver com o meu meio irei ter noção do quão diferente me tornei. Tenho noção que quando voltar as coisas não serão iguais. Mas não sei se por voltar diferente ou se por voltar com vontade de fazer novas coisas. Estou a viver uma das melhores fases da minha vida e não quero de todo fazer do meu retorno a Portugal uma chegada. Quero sonhar em Portugal, com Portugal. A minha cabeça já está repleta de novos projectos, ideais, ideias, aspirações, convicções… Uma coisa é certa, não irei parar.
Quando voltar irei retirar-me do basquetebol, pois serei sénior e iremos jogar na liga e não tenho jogo suficiente por agora. Irei apenas treinar para quem sabe, ter magia para dar numa próxima época. E assim irei ter tempo para continuar a trabalhar aos fins de semana na Pans. Não recebo grande coisa, mas as pessoas de lá são fantásticas e vão acolher-me quando voltar da Índia. É algo que me faz ficar muito grata pois nem todos os chefes fazem isso pelos seus colaboradores. Confesso que já tenho saudades das minhas “parentes” e do “lodo”.
Trabalharei pois quero ir no meu 3º ano de Faculdade em Erasmus para o Reino Unido. Existe uma universidade em parceria com a minha, em Cambridge. Quero bastante conseguir estudar lá. Pois é um pais de língua inglesa e eu preciso e quero melhorar o meu inglês. Nas primeiras publicações do blog já referi este sonho e agora começa a ficar cada vez mais claro na minha cabeça.
Um dos meus países preferidos para fazer este estágio era a Índia e o Egipto, contudo acabei por ir para a Índia por me deslumbrar ainda mais. E ainda bem. Pois no hostel onde estou alojada está também um estagiário do Egipto que acabou por ser um grande amigo meu. Há dias passei a noite a fazer-lhe perguntas sobre o Egipto: como são as pessoas, como são as estradas, se há crianças a pedir na rua, o nível de vida, se é muito caro…etc. Ele humildemente respondeu a tudo e disse que se quisesse podia passar lá as férias de verão na casa dele, pois tem um apartamento em anexo à sua casa que ninguém usa. Ele vive no Cairo e já reparei que não é um egípcio qualquer. O seu nível de vida e poder económico é elevado. Ofereceu-se também para me por a estudar ou estagiar na sua Universidade “American University of Cairo”. O que me faz pensar em escolher a cadeira “Egiptologia” como opção no meu 2º ano de Curso. Em pequena para além de bióloga marinha sonhava com arqueologia, e inevitavelmente a minha imaginação rematava para as enormes pirâmides e túmulos egípcios. Por isso é uma hipótese que irei ter em conta.
O mundo se antes parecia enorme, agora parece-me muito pequeno. O meu grupo de amigos na Índia vem do Egipto (Ahmed), Rússia (Roman), México (Alondra) e Polónia (Sylvia). Somos os únicos estagiários nesta casa, então vamos sempre a todo o lado juntos. E no meio de tantas noites e dias passados em confissões, gargalhadas, frustrações…acima de tudo de partilha, sinto-os perto do coração e inevitavelmente os seus países que pareciam longínquos e desconhecidos, tornam-se ilhas que a todo o vapor se aproximam do meu Portugal.
Outra das coisas que tenciono fazer quando chegar é entrar como membro da AIESEC. Organização que me proporcionou este estágio. Pois acredito que posso aprender e crescer bastante por lá. Estou a pensar em ir para “Non-Corporative Projects” porque lá posso dar lugar às minhas ideias. Ainda assim não sei se me irão aceitar. Esperemos que desta vez o façam e não usem a minha falta de tempo como razão de não me colocarem em sítio algum. Pois tive e tenho uma enorme vontade de trabalhar com eles e depois desta experiencia na Índia acho que estarei preparada para aceitar os desafios desta organização.
Também tenho pensado no que quererei fazer no futuro e a opção trabalhar nas Nações Unidas tem-se tornado uma hipótese pois quer o meu colega do Egipto quer o meu colega aqui de Delhi me falaram em ir para lá trabalhar tendo em conta as minhas aspirações. Por isso quando chegar a Portugal irei pesquisar sobre isso.
Tenho então reflectido bastante durante a minha estadia na Índia. E se tudo correr bem irei prosseguir com os sonhos quando chegar a Portugal. Isto é só o inicio.
"The World is a book, and those who do not travel read only a page."

domingo, 17 de julho de 2011

A vida na Índia

A vida na Índia não é de todo como esperava. Não é assim tão barata como pensava. É verdade que aqui como por 2 euros, mas imaginem o que é viver aqui e gastar em média 5 euros por dia. Parece que não mas começa a pesar na carteira. De facto o que acontece aqui é que as coisas boas são ao mesmo preço do que compramos na Europa. As piores e sem grande qualidade são baratas.
O meu trabalho fica a 1h30 de minha casa, por isso tenho de me deslocar diariamente de metro. Pelo que se gasta ainda algum dinheiro.
Tenho tentado com os meus colegas de hostel, comprar comida para começarmos a cozinhar para poupar dinheiro, mas isso implica comprar, tachos, talheres, esponja, detergente…e temos tentado aos poucos ir comprando isso. É um investimento para poupar futuramente. Por enquanto como num pequeno prato de plástico, com uma colher de café também de plástico que trouxe de um pequeno bolo que comi. É engraçado, nunca me imaginaria a fazer uma coisa destas. Ri-me bastante ao trazer isso para casa enrolado a um guardanapo, feliz da vida porque já tinha onde comer. Contudo, começamos a ficar frustradas pelo facto de ainda não termos ido viajar pela Índia, para ir conhecer outros sítios, pois Delhi é uma cidade bastante barulhenta e poluída. Simplesmente estamos a sobreviver aqui e não a viver.
Mas isso tem-me ensinado a dar valor a muita coisa. Aqui tenho festejado pelo facto de ter luz, de a água voltar, de ter mudado para um quarto com chuveiro e autoclismo, por de vez em quando poder ouvir o silêncio nesta cidade barulhenta…
Tenho de facto aprendido bastante aqui, e não trocava esta triste precariedade por nada. Pois é isto que vai fazer de mim um ser melhor quando voltar ao conforto do meu lar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

News

Tenho estado sem internet por isso tem sido difícil dar noticias. Hoje milagrosamente sou a única nesta casa que apanha algum sinal. Por isso aproveito para contar como as coisas correm.
Cada vez sinto-me mais dentro desta cultura. Ontem fui ao cinema, ver um filme indiano chamado DELHI BELI, e foi um serão bastante agradável. Tal como o dia de hoje, pois fomos visitar um templo e é duma magia e paz inexplicável.
Tudo agora começa a não ter palavras. De tudo o que vejo, serão sempre poucas as palavras para o descrever.
Hoje enquanto comia num dos restaurantes de rua, um pequeno não parava de me pedir comida. No final da refeição fui ter com ele e os outros e dei quase a comida toda, pois nem consegui comer com eles ali. Senti-me mal.
Já me mudei para o quarto do andar de baixo com a Valeria. É bastante melhor. Temos finalmente luz na casa de banho, chuveiro, autoclismo, ar condicionado e frigorífico! Yeah!
O trabalho na escola tem sido intenso. Eu e a Valeria estamos à espera de ter internet para começar a enviar emails para empresas indianas para financiar a escola. Pois precisam de dinheiro para comprar o terreno para aumentar as instalações, pois começa a ser pequena para tantas crianças. Um amigo meu, Saatvik, que é estudante de mestrado no IIFT aqui em Delhi, disponibilizou-se para ajudar pois um dos seus trabalhos é ir a encontros com empresas, e gerir fundos que iram para as ONGs que a faculdade eleger. Espero que consigamos esse feito.
Temos um novo trainee cá em casa. Vem da Rússia :)
Este é o refrão da música que estamos a ensinar ás crianças.

Se pudesse também eu pedir um desejo, seria: acabar com a pobreza.
É realmente algo com que ainda não consigo lidar muito bem aqui, e sinceramente eu não sou mais que ninguém para ter comida à mesa e aquelas crianças não. Por isso peço-vos. Dêem valor ao que têm. Acreditem, temos demais.

domingo, 10 de julho de 2011

Party

Ontem foi um dia em cheio.
Fomos ter com a AIESEC DELHI, tínhamos uma reunião com eles, e de seguida fomos todos jantar fora. Acontece que perdemo-nos pela cidade, mas depois lá demos o braço a torcer e apanhamos um táxi.
No “buraco” onde vivo temos gente do Egipto, Polónia, México e Holanda. Então é com eles que eu e a Valéria andamos pela cidade. Somos todas raparigas, só existe um rapaz aqui e é do Egipto.
Depois da reunião da AIESEC fomos todos dentro do carro deles, até um restaurante de rua em frente a uma das faculdades de DELHI. Como é óbvio pedi para buzinar o carro, pois aqui é uma constante e eu precisava da minha pequena vingança! Experimentei muita comida indiana e fiquei com a boca a arder do picante! Tentava respirar pela boca para aliviar mas isto está repleto de moscas, e quando digo repleto é mesmo no sentido literal da palavra.
As ruas aqui são muito sujas e confusas. Vêm muitas crianças darem-me a mão a pedir dinheiro, e depois uns passos à frente dou de caras com super centros comerciais. É notório o grande abismo entre ricos e pobres. Não há meio termo. E quando à noite fui sair para uma discoteca com a AIESEC, aí a diferença foi arrepiante. Dei por mim a entrar de borla na discoteca de um Hotel 5 estrelas. Era tudo bastante rico, bem vestido, de bons carros, decoração brutal…e apesar de ficar deslumbrada não pude deixar de sentir um pedaço de culpa por ali estar. Pois estão pessoas lá fora a viver miseravelmente e eu sentia-me mais um indiano que pouco ou nada quer saber. Ainda assim, diverti-me imenso na discoteca. Aprendi bastantes novos passos de dança indianos!
A noite acabou com o nosso amigo do Egipto super bêbado, sem mal conseguir andar. O táxi trouxe-nos até casa e um dos membros da AIESEC ajudou-nos a vestir-lhe o pijama e a deita-lo.
Já é de manhã e está tudo bem com ele.
Este é o meu terceiro dia aqui e já parece que aqui estou à 3 semanas. Os dias são bastante longos. Vive-se muito intensamente! Estou a gostar bastante desta minha aventura. Confesso que não é nada como tinha imaginado. Saiu tudo ao contrário. Contudo, não é necessariamente mau. Eu gosto.
Hoje irei ter com a AIESEC a Delhi heart, para passearmos um pouco. O dia está de chuva, mas ao menos assim não está imenso calor!

p.s: Eu e a Valeria já temos cartão de telemóvel indiano e um cartão para o metro. O metro aqui é bastante bom. Somos revistados sempre antes de entrar, como se faz nos aeroportos, e existem carruagens só para as mulheres. :)

Até já!
This is what AIESEC is all about. Poland, Mexico and Portugal united to take care of the (drunk) Egyptian.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Crasy India

Já cheguei a território Indiano e desde que o pisei, todas as horas aqui passadas têm sido alucinantes. A Valéria veio buscar-me ao aeroporto e deu-me logo as más noticias para carregar com o choque cultural duma vez só. Simplesmente o que nos tinham dito que ia ser a nossa “estadia” não era. Estamos num bairro bastante pobre em Delhi, com outros trainees, que aos poucos vão desistindo e antecipando o seu regresso a casa.
Durmo num quarto com paredes sujas e uma cozinha que nem é cozinha. E uma casa de banho sem luz, autoclismo e onde o banho tem de ser com o balde que ali está. Não temos ar condicionado, frigorífico, nem internet, pelo que a minha primeira noite de sono na Índia foi nula.
A temperatura na Índia é bastante parecida com uma piscina interior. Aquele ar quente e húmido que nos deixa as calças bastante húmidas.
Hoje tive sorte, choveu e o clima esteve temperado. Contudo ainda me estou a habituar à confusão da cidade. São carros por todo o lado, cada um a apitar de 3 em 3 segundos e nenhum deles pára na passadeira. Temos literalmente de nos fazer á estrada e fintar os carros.
A comida não tem sido má. Um rapaz da ONG onde estou a trabalhar, levou-me a mim e à valeria ao Mc Donalds. É engraçado o facto de terem apenas uns 6 hambúrgueres para escolhermos e todos eles chicken qualquer coisa.
Esta noite jantei num centro comercial a 10 minutos a pé do nosso “buraco”.
Apesar deste “choque” penso que não tenho reagido mal. Encaro com humor estas situações bizarras. E já pensei em fazer um “MTV SCRIBS” da nossa barraca, porque realmente tem muita graça o seu aspecto.
As pessoas da AIESEC DELHI têm estado em contacto connosco diariamente, contudo ainda não souberam dar resposta a tais acontecimentos. Amanhã vamos a um LC Meeting, talvez dê para os pressionar mais um pouco.
Podem pensar que estou em baixo, e bem, sei que isto não é o que estava à espera, que estou com condições realmente precárias, mas uma coisa esta manhã mudou tudo.
Acordei cedo para ir com a Valéria para a escola onde está a fazer o seu estágio. Simplesmente desisti do meu sobre a SIDA para poder ficar com ela neste projecto, visto estarmos tão mal alojadas, ao menos juntas sempre se ultrapassam melhor as coisas.
A escola tem crianças com fracos recursos monetários, deficientes, autistas, etc. E de manhã ao chegar, fomos dizer “namaste” a cada sala. Ao entrar numa das salas, todos os pequenos meninos se levantam e em coro dizem “good morning madame!”. E foi aqui que com um enorme sorriso retorqui o bom dia com os olhos envoltos em lágrimas, pois foi bastante tocante aquele momento.
Durante a tarde, tive com os meninos deficientes e autistas, a ensinar-lhes alguns princípios básicos do basquetebol. Como o drible e o passe. Foi bastante divertido, e senti-me em casa.
Aliás percebi que na Índia, a casa não é o lugar, mas as pessoas.

Estou feliz por estar neste novo projecto e apesar de depois de um dia cansativo ter de voltar para uma “barraca”, o que interessa são estes pequenos que tão gentilmente me cumprimentam e que mesmo sem nos entendermos nos entendemos tão bem.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Londres!!

Estou com uma directa em cima, pois mal dormi esta noite. Cheguei ao aeroporto de Lisboa bastante cedo, e ás 8h15 como previsto levantei voo. Tinha uma sensação estranha de solidão ao deambular pelos corredores do aeroporto, mas ao mesmo tempo sentia-me livre.
Ao meu lado sentaram-se duas raparigas da minha idade, que por acaso também iam apanhar o metro ao chegar a Londres e então tive companhia até ao Green Park.
Ao chegar a Brixon, liguei para a colega da Rita de uma cabine, e ela apareceu passados uns minutos e fomos dar uma volta por Londres. É realmente surreal esta cidade. Para não falar no sotaque britânico desta gente. MUITO engraçado!!
Vou passar a noite aqui na casa da Rita, e amanhã saio cedo para ir para o Aeroporto de Heathrow para apanhar o avião para Delhi. Chego ás 18h em Portugal. Estou bastante ansiosa! A viagem até Londres correu bastante bem, e por isso estou confiante com a minha chegada à tão esperada Índia.

CHEGADA A LONDRES

Não consigo aceder ao facebook. Já estou na casa da Rita onde vou passar a noite.
Está tudo bem :)

beijinhos! logo conto mais novidades e mostro fotos!!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Até Já

Amanhã apanho o avião para Londres às 8h15 da manhã. Sinceramente não sei como vai ser. Isto porque vou ter de fazer escala de um dia, e irei ter com a minha colega de Equipa a Brixon onde irei passar a noite. Talvez saia um pouco para conhecer Londres. Chegarei à Índia no dia 7 às 18h em Portugal.
Vou tentar comunicar, ainda amanhã, mas não prometo.

A única promessa que aqui faço é que vou aproveitar esta viagem ao máximo!!

"Dei por mim a fazer contas à vida e vi que mesmo trabalhando até ao verão não terei o dinheiro suficiente para ir para a Índia. Contudo, a verdadeira essência não é viajar mas sim, ajudar. É por isso que é voluntariado e não férias. (...)
Hoje aprendi que mesmo quando tudo parece perdido, há sempre um outro caminho, uma outra luz que nos chama e que nos dá vida. Mas também é preciso estar disposto a percorrer novos trilhos, e não forçar a porta que não abre. Talvez hajam outras para se abrir primeiro. Veremos o que estará por trás dela.
" Agora sei o que se escondia...a Índia !in http://fight4y0urdreams.blogspot.com/2011/04/desacreditar.html - Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Jantar de Despedida

Tentei não chorar. Mas foi mais forte que eu. Após um discurso emotivo da minha mãe para todos os meus amigos a agradecer o apoio, e de ver o seu olhar molhado, não contive as lágrimas e os abraços nem a ela, nem a todos os presentes.
Ofereceram-me bastantes coisas para levar para a Índia, desde protector solar até aos Headphones. É tocante. Vou levar também uma bandeira de Portugal com dedicatória de todos eles.
Agradeço também a hospitalidade do restaurante Indian Palace, em Mem Martins, que tão bem nos acolheu e serviu.
Não há palavras para o dia de hoje. Há muito por digerir.
Aqui ficam algumas fotos do jantar.


"Happiness is only real when shared"

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Insónias

Dói-me a cabeça, tenho a vista cansada e mal consegui dormir esta noite.
O cartão visa que pedi ainda não chegou e já lá vão 3 semanas. E parto daqui a 2 dias. Talvez o meu pai tenha ficado com a carta. Preciso que ele chegue para perguntar.
O jantar de despedida vai ser hoje no restaurante "Indian Palace" em Mem-Martins. Espero passar um bom bocado junto dos meus. E que a choradeira fique longe.
A Valeria chegou hoje de madrugada a Deli, mas ainda não comunicou. Estou preocupada com ela e ansiosa por saber as primeiras impressões, visto estarmos ambas como estagiárias na AIESEC DELHI IIT.
Já fiz a mala 5 vezes ou mais, e cada vez tiro mais roupa lá de dentro. Quero leva-la metade cheia, para não ir muito carregada e poder trazer coisas da Índia na volta.
Confesso que aos poucos sinto a proximidade da viagem e isso deixa-me num estado que nem eu sei descrever. Não são borboletas na barriga, nem tremores, é um conflito interior entre a realidade e o sonho que me dá cabo da cabeça.
Hoje recebi o ordenado da PANS e será uma grande ajuda para os meses que lá vou passar. É de salientar que quando voltar da Índia vou continuar logo nessa semana a trabalhar. Ainda se encontram excelentes pessoas em grandes cargos. É de facto algo que me deixa muito feliz. Deixei uma folha na loja, a agradecer a todos, em especial à minha Chefe, a Carla, e com o link do blogue para me irem seguindo. São de facto todos grandes companheiros de trabalho e grandes pessoas. Vou ter saudades deles e do "lodo" :)
Obrigado a todos os que têm deixado aqui as suas palavras. Fico bastante sentida. É algo que me toca bastante. Pois apesar de fazer esta viagem sozinha, e de ter lutado muito por isto, não seria nada sem o apoio das pessoas à minha volta. Ajudaram-me e muito. E estou bastante grata por isso.

It could be all yours. It's up to you.

sábado, 2 de julho de 2011

The Final Adjustments

A mala ainda não está feita, mas talvez comece esta noite a faze-la.
Ando ocupada com os preparativos para o jantar de despedida no restaurante Indiano. Pelo que parece, tenho de começar a regatear preços com eles já aqui em Portugal. Até que foi engraçado faze-lo, especialmente em inglês e via telemóvel.
Espero agora que me ligue, para saber se o preço do jantar pode descer.
A minha companheira de viagem parte amanhã. E eu começo a sentir-me finalmente nervosa e a cair em mim. A prova disso são as insónias. Ou então é o "Carpe Diem".
A Manvi Abrol, quem tratou do meu estágio na Índia, já está a tratar de quem me irá buscar ao aeroporto em Deli. Menos mau!
Em Londres, quando fizer escala, irei sozinha até à estação de metro de Brixon, pois irá lá estar uma amiga da Rita (minha colega de Equipa) para me receber e alojar durante uma noite, onde mais tarde se juntará a Rita que está a trabalhar e não me pode ir buscar.
Este domingo vem o portátil que está a ser arranjado pelo meu primo Pedro, e foi gentilmente emprestado pela Andreia (colega de Faculdade) para assim poder dar notícias pelas Índias.
Portanto, está tudo mais ao menos a postos. Até os meus óculos graduados, foram hoje levar um pequeno ajuste nas hastes, de modo a substituírem as lentes, nas 9h de voo de Londres até Deli, para poder dormir à vontade.
Eu estou pronta. Resta saber se os que me rodeiam também.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Apresentação Cultural

Hoje foi o dia de fazer a minha apresentação cultural à AIESEC ISCTE. Fui mais cedo para a faculdade, para fazer uns ajustes com a minha parceira de viagem Valéria. Penso que correu bem. Foi importante para nos fazer pesquisar ainda mais sobre o sítio que nos espera (Índia, Delhi).
Confesso que aos poucos vou ficando nervosa, pois a Valéria vai já este domingo. E eu apanho o avião na . Contudo, a tarde foi passada a rir do que nos poderá acontecer, e até combinámos fazer um vídeo a dançar, em cada sítio que iremos visitar na Índia. Como por exemplo o Taj Mahal.
Já mandei mensagem para quem tratou do meu projecto na Índia a avisar quando chego, para eles me irem buscar ao aeroporto. Espero que respondam!
E como o dia foi marcado pela boa disposição, aqui vai o vídeo com que abrimos a nossa Apresentação Cultural. Enjoy It!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Nostalgia

Os dias avançam rapidamente para o grande dia! Já só falta uma semana!
Já tenho a mala de viagem, a Catarina da minha turma do secundário emprestou-me a dos seus pais. Foi amor à primeira vista! A mala é mesmo como eu queria. Daquelas para acampar bastante grande, e tem uma cor super bonita: azul-turquesa.
Uma colega da minha irmã, a Neuza, esteve em Londres recentemente então tem o cartão que eu vou precisar comprar e carregar para viajar pelo metro e autocarros de Londres. Assim só gasto dinheiro a carregar o passe de um dia! (Vou fazer escala em Londres de um dia)
Hoje fui aos chineses comprar uns ténis do género montanha para levar e 3 pares de calças largas estilo indiano. Já soube que não convém usar calções por lá, e jeans também faz demasiado calor para tal, então levarei estas e depois compro o resto por lá!
Amanhã vou fazer a minha apresentação cultural na AIESEC ISCTE, com a minha companheira de viagem Valéria. Basicamente é um dos nossos primeiros deveres, onde o último será um relatório final do estágio.
Hoje foi a última vez que vi a minha irmã, pois ela vai já de férias. Deixou comigo um pacote de “Chocapic Go”. Sim, é nitidamente uma das coisas que não podia faltar na minha mala de viagem!
Imprimi um calendário para ir riscando os dias que faltam, para ver se começo a ganhar noção de que está perto. Porque continuo sem me sentir nervosa e ansiosa. Não queria nada guardar este género de sentimentos para um só dia. Acho que ainda não acredito no que consegui. Contudo, é inevitável a nostalgia que me envolve. Tudo o que faço, é como se fosse a última vez que o irei fazer. Desde palavras e gestos, a acções. Porque acredito que irei ter saudades do meu cantinho e das minhas pessoas, por isso quero aproveitar ao máximo a minha terra.

Conselho do dia “Vai pela sombra que lá faz calor” – By: Cunhado (despedida).

terça-feira, 28 de junho de 2011

Reflexão

Não acredito na rotina da vida. E se ela existe tentarei por tudo pôr-me à margem.
Nascemos, passamos a maior parte dos nossos anos de vida a estudar para ter um bom emprego e no fim, talvez criemos uma família, que irá seguir os mesmos fúteis passos, e morremos.
Eu não quero essa vida. Acredito que a vida é muito mais do que um Estado, uma Nação, um conjunto de regras, burocracias, notas, rotinas…Nasci dentro de um sistema e mal de mim se não tiver liberdade para sair dele.
Estudo porque tenho de me alimentar fisica e intelectualmente, e pode ser que assim consiga chegar a mais gente, e consiga dar a mão a quem necessita. Contudo tento a todo o custo não me esquecer que a vida é efémera e que há muito lá fora para descobrir.
Daqui a 9 dias chegarei à Índia. Um grande passo para a libertação da prisão ocidental.
Vou viver ao máximo esta experiencia, longe de tudo e todos. Apenas com uma mala às costas, seguirei sozinha pelos Aeroportos e irei fruir ao máximo tudo à minha volta.
Isto não será o fim. Acredito que num futuro próximo pisarei outras terras. Quem sabe se o Egipto.
Não sou mais do que ninguém para ter comida na mesa, um tecto, educação
Lutarei para que os outros possam ter o mesmo. Lutarei para descobrir qual é o propósito da vida. Lutarei para saber qual é o meu destino. Lutarei para ser livre.

"No, man. Alaska, Alaska. I'm gonna be all the way out there, all the way fucking out there. Just on my own. You know, no fucking watch, no map, no axe, no nothing. No nothing. Just be out there. Just be out there in it. You know, big mountains, rivers, sky, game. Just be out there in it, you know? In the wild.
You're just living, man. You're just there, in that moment, in that special place and time. Maybe when I get back, I can write a book about my travels. You know, about getting out of this sick society. Cause, you know what I don't understand? I don't understand why people, why every fucking person is so bad to each other so fucking often. It doesn't make sense to me. Judgment. Control. All that, the whole spectrum. Well, it just... You know, parents, hypocrites, politicians, pricks" - Into the Wild

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um dia para esquecer

Daqui a 10 dias parto para a Índia e por isso decidi ir FINALMENTE à praia, aproveitando uma das melhores coisas que o meu País tem. Contudo, foi das decisões mais estúpidas do meu dia. Pois ao voltar da praia, vou a ver o meu telemóvel (que tinha deixado no carro) e tinha imensas chamadas dos meus pais. Acontece que hoje vieram cá uns senhores ver o nosso carro para o comprar. Pois bem, o meu pai está furioso e eu...completamente no fundo do poço. Só queria passar estes últimos 10 dias em paz, a viver ao máximo o meu País, a despedir-me de quem gosto, mas está a sair tudo furado.
O que vale é que daqui a uns dias vou-me embora e estarei 2 meses fora. Porque sinceramente não me sinto bem aqui.
É preciso ter azar, para no 1º dia que pego no carro para ir à praia, acontecer isto.
Ninguém merece.

sábado, 25 de junho de 2011

Mephaquin

Cada vez é mais difícil escolher um título para os meus textos. Por isso decidi por o nome do meu comprimido para a prevenção da malária. Isto porque tomei-o esta 5ª feira, e todos me falavam dos horríveis efeitos secundários, contudo não tive nenhum.
Eram 8h da manhã, comi e tomei o comprimido. Peguei no carro e fui treinar. Tive um treino completamente normal. Pensei sinceramente que me iria dar qualquer coisa, mas não. De tarde fui à Embaixada da Índia buscar o visto! E pronto, burocracias: CHECK!
E tolerância ao comprimido: CHECK!
Já comecei a por de parte as coisas que quero levar na mala.
Agora é que começo a cair em mim! Estou a viver dos momentos mais felizes da minha vida e ainda nem estou na Índia! Espero que não seja a última aventura, e que depois desta venham mais. Pois a vida é feita de riscos, objectivos, aventuras e sorrisos!

"Life is all about experimentation. The ones who dare are the ones who succeed." - Saatvik Sai.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Life is a Funny Thing

Andava apenas no 4º ano, quando duas senhoras foram ao meu ATL e me deram aquele papel a dizer "SIDA". Lembro-me de estar sentada com outra amiga e dizer-lhe que queria fazer algo relacionado com o tema. Ela sugeriu um cartaz com informações sobre a doença, contudo não me preenchia as medidas (apesar de pequena), e então sugeri que fizéssemos um peditório. Convenci os meus amigos, e começamos a pintar as nossas camisolas brancas e a pedir nas salas de aula. E toda a comunidade escolar começou a ficar envolvida. No fim, a minha mãe obrigou-me a ligar para a instituição e a ser eu a falar. E assim foi. Ganhei coragem e fui eu que liguei e falei para saber onde depositar o dinheiro.
Aqui na foto, foi o dia em que fui ao banco depositá-lo.

O mais engraçado disto tudo é que daqui a 2 semanas, irei para a Índia, e vou trabalhar num projecto sobre a SIDA. A vida é mesmo engraçada!

Sinto orgulho na pessoa que fui e na pessoa que sou hoje. Pois apesar de os anos passarem, não deixei as boas acções ficarem apenas no passado. E tenho a certeza que a pequena Mónica que tenho ainda em mim, está muito feliz e orgulhosa por tudo isto.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Poetry

Encontrei este poema feito por mim o ano passado. Achei interessante colocar aqui, pois se tivesse de explicar o porquê de ir à Índia, este poema seria a resposta.

Sinto necessidade de fazer algo mas não sei o quê.
Quero mover o mundo não me perguntes porquê.
Preciso de tirar as vendas ao mundo
Preciso de o por a respirar liberdade
Não quero viver num sitio imundo,
Banhado de falsidade,
sujidade psicosocial,
consumista animal.

Abro os olhos e só vejo miséria
Eu não nasci para assistir a esta tragédia.
É dia de mudar, de fazer algo por nós
Pela mãe, pelo pai, pelo tempo dos avós.
Somos o presente e o futuro
Que pode derrubar o muro que nos aprisiona
um pouco mais de ti, esquece o que te condiciona

Liberdade, Liberdade, Liberdade
Respira fundo vem aí a Liberdade.
Liberdade, Liberdade, Liberdade,
Abre os braços vem aí a Liberdade.

Somos todos jovens, com altas aspirações
Uns querem ganhar tostões e outros a dignidade
Mas muitos se afogam no mar da falsidade.
Perdemos tempo a tentar ganhar dinheiro
Mas quando morremos, fica cá o porco mealheiro.
Nada levamos connosco pois o que construímos é material
Nada deixamos ao mundo se não a palavra “superficial
”.
Se nos deram a vida, então toca a viver
Dá mais do que recebes e feliz irás morrer.
Pois destes ao mundo mais do que economia
Deste a mão e fizeste de um sorriso a supremacia.



Vale de Gato, Mónica.