Já cheguei a território Indiano e desde que o pisei, todas as horas aqui passadas têm sido alucinantes. A Valéria veio buscar-me ao aeroporto e deu-me logo as más noticias para carregar com o choque cultural duma vez só. Simplesmente o que nos tinham dito que ia ser a nossa “estadia” não era. Estamos num bairro bastante pobre em Delhi, com outros trainees, que aos poucos vão desistindo e antecipando o seu regresso a casa.
Durmo num quarto com paredes sujas e uma cozinha que nem é cozinha. E uma casa de banho sem luz, autoclismo e onde o banho tem de ser com o balde que ali está. Não temos ar condicionado, frigorífico, nem internet, pelo que a minha primeira noite de sono na Índia foi nula.
A temperatura na Índia é bastante parecida com uma piscina interior. Aquele ar quente e húmido que nos deixa as calças bastante húmidas.
Hoje tive sorte, choveu e o clima esteve temperado. Contudo ainda me estou a habituar à confusão da cidade. São carros por todo o lado, cada um a apitar de 3 em 3 segundos e nenhum deles pára na passadeira. Temos literalmente de nos fazer á estrada e fintar os carros.
A comida não tem sido má. Um rapaz da ONG onde estou a trabalhar, levou-me a mim e à valeria ao Mc Donalds. É engraçado o facto de terem apenas uns 6 hambúrgueres para escolhermos e todos eles chicken qualquer coisa.
Esta noite jantei num centro comercial a 10 minutos a pé do nosso “buraco”.
Apesar deste “choque” penso que não tenho reagido mal. Encaro com humor estas situações bizarras. E já pensei em fazer um “MTV SCRIBS” da nossa barraca, porque realmente tem muita graça o seu aspecto.
As pessoas da AIESEC DELHI têm estado em contacto connosco diariamente, contudo ainda não souberam dar resposta a tais acontecimentos. Amanhã vamos a um LC Meeting, talvez dê para os pressionar mais um pouco.
Podem pensar que estou em baixo, e bem, sei que isto não é o que estava à espera, que estou com condições realmente precárias, mas uma coisa esta manhã mudou tudo.
Acordei cedo para ir com a Valéria para a escola onde está a fazer o seu estágio. Simplesmente desisti do meu sobre a SIDA para poder ficar com ela neste projecto, visto estarmos tão mal alojadas, ao menos juntas sempre se ultrapassam melhor as coisas.
A escola tem crianças com fracos recursos monetários, deficientes, autistas, etc. E de manhã ao chegar, fomos dizer “namaste” a cada sala. Ao entrar numa das salas, todos os pequenos meninos se levantam e em coro dizem “good morning madame!”. E foi aqui que com um enorme sorriso retorqui o bom dia com os olhos envoltos em lágrimas, pois foi bastante tocante aquele momento.
Durante a tarde, tive com os meninos deficientes e autistas, a ensinar-lhes alguns princípios básicos do basquetebol. Como o drible e o passe. Foi bastante divertido, e senti-me em casa.
Aliás percebi que na Índia, a casa não é o lugar, mas as pessoas.
Estou feliz por estar neste novo projecto e apesar de depois de um dia cansativo ter de voltar para uma “barraca”, o que interessa são estes pequenos que tão gentilmente me cumprimentam e que mesmo sem nos entendermos nos entendemos tão bem.
